4º Seminário Ibero Americano Arquitetura e Documentação
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Histórico

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A pesquisa na área da História da Arquitetura e do Urbanismo na América Latina tem passado por mudanças significativas nos últimos anos, refazendo-se versões tradicionais da historiografia dominante. A intensa revisão a que tem se submetido o passado da arquitetura e a significativa ampliação vivida pelo campo da preservação do patrimônio a partir dos anos 1980 fez com que a disciplina da História da Arquitetura voltasse a ser colocada na ordem do dia, embora nem sempre numa posição muito clara. De fato, os últimos trinta anos assistiram a uma tremenda efervescência no campo da História da Arquitetura em nosso continente, com grande vitalidade editorial e com a multiplicação de programas de mestrado e doutorado e de eventos na área.

No caso do Brasil, são variados os exemplos, sendo o colóquio “Arquitetura Brasileira: Redescobertas”, organizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil em 2000, com mais de 300 trabalhos, e os Seminários da História da Cidade e do Urbanismo, que vêm sendo realizados ininterruptamente desde 1990, apenas alguns que poderiam ser citados. Na América Latina, cabem se citar os Seminários de Arquitetura Latino-Americana (SAL), que nasceram por iniciativa de um grupo de arquitetos como resposta à necessidade de promover uma reflexão coletiva, orientada a descobrir e colocar em destaque as qualidades da arquitetura Latino-Americana, tornando-se, com o tempo, também um importante fórum para discussão sobre a história dessa arquitetura. É interessante percebermos, no entanto, que não se trata apenas de um aumento quantitativo da produção, mas que neste aumente se reflete um real enriquecimento dos estudos da história da arquitetura e do urbanismo na América Latina, com um seu maior enraizamento. institucional, significativos avanços metodológicos e com uma diversificação em termos disciplinares e territoriais.

Aqui cabe destacar como essa atual vitalidade da área deve-se, em grande parte, à redescoberta e ao reexame das fontes documentais, caminho que por muito tempo não fora valorizado numa historiografia marcada por um forte viés ideológico. No caso brasileiro, muitos estudos recentes têm mostrado como a ordenação da história da arquitetura foi articulada por uma versão historiográfica dominante, articulada por uma lógica evolutiva, que valorizava alguns movimentos específicos do passado, especialmente o barroco – deixando de lado, como corolário, outros não considerados merecedores de atenção, como o ecletismo e o neocolonial.

No geral, a historiografia – majoritariamente modernista – da arquitetura brasileira partia de pressupostos não expressos ou vagamente referidos sobre seu objeto, o que terminava por excluir parcelas significativas dessa produção, criando-se importantes lacunas. Ricardo Marques de Azevedo, em “Sobre a historiografia”, nos dá uma fina descrição do processo:

O ranço positivista ainda arraigado, especialmente nas correntes mais doutrinárias, esforça-se por fazer da historiografia um encadeamento perfeito das causas e efeitos que se sucedem ordeiramente em direção a uma escatologia, justificando e referendando posições ou posturas que advogam como excludentemente corretas e coerentes com as circunstâncias dadas. O sucedido que não se encaixa nessa ordenação é negligenciado ou mesmo escamoteado, até que novas revisões da historiografia recuperem outra vez parcelas daquilo que intencionalmente havia sido relegado. (AZEVEDO, 1989, p. 88-89)

Embora possamos apontar uma série de causas, institucionais e metodológicas, para a “redescoberta” das fontes documentais desses últimos anos, não nos parece haver dúvida sobre a sua ligação com a chamada “crise do Movimento Moderno”, no início da segunda metade do século XX, que, como anota Marco Aurélio Gomes, contribuiu para o estímulo a essa “nova sensibilidade à história, expressa em uma profusão de estudos sobre o tema”. De fato, o pós-modernismo e os conceitos a ele subjacentes – autoria, representação, memória individual e coletiva, entre outros – parecem ter aberto uma nova – e instigante – perspectiva para a revisitação dos arquivos, que se reflete num renovado interesse pelos documentos e pelo trabalho de sua releitura e interpretação.

No que se refere especificamente aos arquivos de arquitetura, como bem observa Ramón Gutierrez, somente nos últimos anos começou a existir uma consciência acabada sobre o valor documental desse tipo de arquivo em nosso continente. Em geral, estes arquivos têm carecido de uma tutela específica, salvo naquelas repartições públicas ou escritórios privados nos quais foram necessários conservá-los graças ao próprio caráter operativo dos mesmos. De todo modo, se trataria nestes casos “simplesmente de uma operação de armazenamento, sem implicação alguma de uma tarefa adequada de acondicionamento e catalogação”. Assim, vai ser grande a lista de Arquivos Públicos, sobretudo os municipais de "obras particulares", que se têm visto destruídos ou dizimados pela falta de cuidado de seus responsáveis, as periódicas "queimas" em busca de espaço e suposta limpeza de material "inútil" ou o eventual roubo pelos usuários. Apesar desta fragilidade, existem hoje vários arquivos de arquitetura na América Latina, abrigados em centros de documentação e, principalmente, nas universidades, instituições que são, no caso de nosso país (e de nosso continente), os principais produtores de pesquisa científica.

No entanto, esses arquivos continuam sendo, em sua maior parte, inacessíveis aos pesquisadores e aos usuários comuns, sendo ainda pouco conhecidos e utilizados. Nos últimos anos, no entanto, as modernas tecnologias de controle e recuperação da informação parecem trazer uma nova luz a esta questão, na medida em que, com o advento da informática, a visão de arquivo como instituição de guarda de documentos vem sendo crescentemente substituída por aquela que o situa enquanto gestor de sistemas de informação, integrado a outros sistemas com o objetivo maior de garantir o acesso do usuário às informações demandadas. Ou seja, o eixo vem sendo deslocado gradativamente da questão da guarda para a do acesso. Dentro desta visão contemporânea, é cada vez mais valorizado o intercâmbio de informações entre instituições, recuperando-se os documentos de interesse do usuário a partir de referências fornecidas pelas instituições, o que, simultaneamente, coloca na ordem do dia a questão do acesso do público a essas fontes inestimáveis de informação.

Ao mesmo tempo, a premência da colaboração e do intercâmbio de informações entre as diversas instituições em nosso continente vem sendo colocada seguidamente como ação prioritária por organismos nacionais e internacionais, valendo recordar as recomendações da Fundación Histórica Tavera no “Informe Experto de los Archivos en Latinoamérica” (Madrid, 2000), que julgou indispensável a criação de um tipo de rede para atender práticas conjuntas de capacitação e difusão do patrimônio documental do continente, recomendações que reaparecem na “1ª Conferencia General de la Red Iberoamericana de Patrimonio Cultural” (REDIPAC: Madrid, nov. 2001) e na “Vª Conferencia Cumbre de los Ministros de Cultura Iberoamericana”, quando, em ambas, se considerou que implementar ações em rede serviria de “valiosa ferramenta referencial” para o fortalecimento do âmbito cultural ibero-americano (Nov., 2001).

Também neste sentido, a pesquisadora argentina Patrícia Mendez, da Universidad de Belgrano e do Centro de Documentación de Arquitectura Latinoamericana (CEDODAL), propôs pioneiramente durante a realização do 1o Congresso Internacional de Arquivos de Arquitetura, acontecido em Alcalá de Henares (Espanha), em 2004, a criação de uma rede latino-americana, que denominava MIRAR-LA, Red de Archivos de Fotografia de Arquitectura em Latinoamérica, que consistia num “proyecto macro de vinculación y mancomunicacion de esfuerzos al que han sido invitados a participar todos aquellos Archivos em cuyos fondos la fotografia de arquitectura latinoamericana constituya um enclave de interés”. Para ela, parecia urgente a necessidade de se revalorizar os arquivos que tutelam as imagens fotográficas de arquitetura na América Latina, pois no que pese a existência de alguns organismos que têm apoiado este tipo de iniciativas seja através da organização de exposições ou de publicações especialmente dedicadas ao tema, o fato é que habitualmente esses arquivos continuavam trabalhando isolados entre si.

A partir deste encontro, o CEDODAL e o Laboratório de Foto-documentação da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) iniciaram um trabalho intensivo de colaboração e, finalmente em 2007, chegaram ao projeto de criação da Rede Latino-Americana de Acervos de Arquitetura e Urbanismo (RELARQ), que, através de um efetivo trabalho em rede entre as instituições de nosso continente, pretende constituir uma poderosa ferramenta de acesso e difusão dos acervos no campo da Arquitetura.

Com a RELARQ diversas instituições brasileiras e latino-americanas estarão instituindo uma base de cooperação com o objetivo primordial de reunir, em um único catálogo on-line de acesso público, as informações sobre acervos documentais de Instituições distribuídas nos diversos países latino-americanos, bem como a possibilidade do público acessar o seu conteúdo. Lançada durante o XII Seminário da Arquitetura Latino-americana (SAL), acontecido em Bío-Bío, no Chile, em novembro de 2007, a RELARQ começou a aglutinar naquele encontro uma série de instituições de nosso continente em torno da sua proposta de constituição de uma rede virtual.

Este processo teve prosseguimento com a realização do 1º Seminário Latino-americano Arquitetura e Documentação, organizado pela Universidade Federal de Minas Gerais e pelo Centro de Documentación de Arquitectura Latinoamericana (CEDODAL) em outubro de 2008, com o patrocínio da CAPES, FAPEMIG e PETROBRAS. Naquele fórum discutiu-se a rica relação entre a arquitetura e a documentação, enfocando-se a contribuição desta para o campo da Historia da Arquitetura e do Urbanismo, bem como a importante questão do tratamento do patrimônio documental em nosso continente. Com a presença de mais de duzentos pesquisadores de todas as regiões brasileiras e de diversos países latino-americanos e da Península Ibérica, neste encontro foi assinado o protocolo inicial de cooperação da Rede Latino-americana de Acervos de Arquitetura (RELARQ), firmado por dezenas de instituições. Cabe destacar aqui o início da cooperação com a Universidad Politécnica de Madrid, uma das principais instituições da Espanha, que se junto à Rede, dando-lhe abrangência ibero-americana.

Dando sequência à discussão dessa temática, realizaram-se em 2011, 2013 e 2015 a segunda, a terceira e a quarta edição do evento, respectivamente, tendo já abrangência ibero-americana, que repetiram o sucesso da primeira, reunindo mais de 250 pesquisadores de diversos países da região em cada uma delas. Destaca-se aqui o lançamento em 2011 do livro Arquitetura e Documentação, que reunia as conferências do primeiro evento, e que foi publicado pela Editora Annablume, de São Paulo e pelo Instituto de Estudos de Desenvolvimento Sustentável (IEDS).

Trata-se de realizar agora a quinta edição do “Seminário Ibero-americano Arquitetura e Documentação”, em outubro de 2017, que pretende reunir aproximadamente profissionais e pesquisadores de toda região ibero-americana, firmando a periodicidade bianual do evento. Nesta edição, vão ser apresentados sistemas de informação que vêm sendo desenvolvidos por diversas instituições ao redor do mundo, com destaque para o sistema da Rede Latino-americana de Arquivos de Arquitetura e Urbanismo (RELARQ), do Instituto Andaluz de Patrimônio Histórico (IAPH) e do Getty Conservation Institute (GCI).

 

 

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