OFÍCIOS TRADICIONAIS E EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

Patrícia Marcelina LOURES

Resumo


O intuito deste trabalho é, levantar reflexões acerca de saberes que acabam por se constituírem enquanto ofícios. Em decorrência desta questão, os agentes sociais praticantes de determinados saberes populares, atribuem à história, à memória ligada em sua maioria aos antepassados, usos, costumes, aprendizagens que tornam-se visíveis por meio de uma espécie de  trabalho voluntário, exercido na comunidade em que atuam. Há uma espécie de liderança conquistada por meio do carisma que é característica  dos agentes sociais em questão. Tais ofícios só se fazem presentes numa comunidade devido às demandas existentes. É possível perceber a existência de grupos distintos seguindo moldes similares por meio de rituais que acontecem em determinadas épocas do ano. Os membros exercem atividades não remuneradas, mas que nos parece ser gratificadas de outras formas, que não as postas usualmente na sociedade global, sendo passíveis de serem valorizadas enquanto patrimônio cultural das comunidades às quais pertencem. Nesse sentido, exploraremos os conceitos de saberes, saberes populares, ofícios que são transmitidos às novas gerações  e que podem ser entendidos como processos educativos. Analisaremos a importância da Educação Patrimonial, em se tratando da recolha dos conhecimentos tradicionais que por muitas vezes não são valorizados em nossa sociedade podendo ser entendidos como relações educativas. Buscamos compreender ainda, se a categoria trabalho está aliada ao fazer diário presente nos ofícios. Os saberes a serem expostos neste trabalho e que serão abordados enquanto ofícios dizem respeito à benzedores/benzedeiras, foliões de Santos Reis e São Sebastião, rezadores, festeiros que seguem um calendário festivo religioso rigoroso para realizarem seus ofícios.


Referências


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