REINTERPRETANDO O PASSADO NO PRESENTE ATRAVÉS DA EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: UMA EXPERIÊNCIA DE EXTENSÃO NA ZONA DA MATA MINEIRA

CAROLINA DE A. SILVA, JOSÉLIA G. PORTUGAL, MARISTELA SIOLARI

Resumo


Ao trabalharmos com Patrimônio, seja ele material ou imaterial, somos constantemente desafiados, pois a população brasileira ainda carece de um contato elucidativo com as novas políticas de preservação patrimonial, embora estas sejam consideradas de vanguarda. O que pudemos perceber através da nossa experiência, é que a implementação esbarra em uma série de meandros burocráticos que distanciam a teoria da prática. Por isso, sentimos a necessidade de trabalhar, ainda na academia com projetos que abranjam a sociedade, de modo mais efetivo, ou seja, é a forma que encontramos para colaborar. Viabilizamos uma mediação entre a população e seus bens, mostrando-lhes os problemas, as potencialidades e as melhores formas de interação existentes entre passado, presente e futuro dentro de uma determinada cidade, observando e respeitando suas particularidades. Pela Universidade Federal de Viçosa, tivemos a oportunidade de nos envolver com um projeto de extensão, que propiciou nosso contato direto com o público por meio das atividades do projeto: Educação Urbana e Patrimonial - Construindo sociabilidade e cidadania na microrregião de Viçosa/MG, financiado pelo MEC-PROEXT. Trata-se de um trabalho desenvolvido pelo Departamento de Arquitetura e Urbanismo e Departamento de Educação da UFV, e envolve também alunos dos cursos de História e Geografia, em ações bastante interdisciplinares. De um modo geral, nos deparamos com questões polêmicas advindas da sociedade como um todo e acabamos circundando discussões de cunho social, político e econômico. Por exemplo: Infelizmente ainda sobrevive a ideia de que preservação implica em congelamento de um tempo específico, impedindo o desenvolvimento de uma cidade ou região. Por isso, nos esforçamos para destacar a contribuição do Patrimônio local das cidades, para que possamos impulsionar a valorização da herança histórica, cultural, social e ambiental, dos municípios. Além do envolvimento da comunidade, almejamos abarcar as instituições públicas, como: prefeituras, IEPHA e etc. Esse esforço é para realizarmos um trabalho mais consistente, em que todos estejam integrados aspirando um objetivo comum, que é a harmonização do passado com o presente. Para propormos um diálogo com a população a cerca de seu patrimônio, então é preciso convidá-los a refletir sobre o papel do cidadão diante de questões patrimoniais. Aspiramos que cada indivíduo consiga se enxergar como agente da história de sua cidade. Ressaltando que as demandas de salvaguarda serão elaboradas e resolvidas de modo mais eficaz a partir do olhar deles, como munícipes. Em face disso, buscamos respaldo em: Lepetit (2001); Castriota (2009); Choay (2001); Paulo Peixoto (2002), entre outros. Baseando-se nessas leituras, compreendemos nossas ações no projeto de forma a discutir a cidade e suas questões patrimoniais, como: fugacidade do tempo refletido e até mesmo concretizado na estrutura urbana das cidades. Tornando-se cara para nós a ideia de uma mudança constante, por mais impensável que esta seja no momento presente, assim, percebemos que a cidade não é estanque, aí está a beleza do conflito temporal eminente, que mistura passado, presente e futuro em uma lógica antes improvável. Aí está o nosso desafio. Não podemos encarar e muito menos deixar prevalecer uma velha concepção de que a vida social de uma cidade é como algo linear. A cidade modifica simultaneamente com os princípios sociais que se renovam a cada dia. Por isso, também entendemos que o espaço urbano preservado não se torna um entrave para o seu próprio desenvolvimento e nem das pessoas que vão utilizá-lo. Ou seja, a inovação é a chave para essa questão. Entretanto, os anseios patrimoniais não param por aí. Deve-se levar em consideração que a cidade e o patrimônio não são elementos homogêneos, mas o que nos preocupa é que nenhum destes elementos deveria segregar, muito pelo contrário, precisa haver uma ajuste entre eles, para que haja uma interação que resulte em potencialidades a serem exploradas por todos, realizando esta máxima, estaríamos materializando a ideia de atualizar ou reinterpretar, produzir e até mesmo apresentar um passado.


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