A GEOPOLÍTICA DAS PAISAGENS CULTURAIS NA UNESCO

DIRCEU CADENA DE MELO FILHO

Resumo


Em 1972 a UNESCO criou sua Convenção do Patrimônio Mundial para responder a necessidade internacional de proteger elementos com importância para além das fronteiras nacionais. Esta convenção apresenta as definições e diretrizes para pensar o patrimônio numa escala global e cria a Lista do Patrimônio Mundial, onde os bens detentores de valor universal excepcional devem ser inscritos com base nos critérios determinados pela instituição. Apesar de representar uma seleção internacional, o processo de inclusão de um bem na Lista está todo baseado na construção de discursos pelas estruturas burocráticas nacionais. Neste sentido, a inclusão de um bem na Lista significa a ratificação por uma instituição transnacional formada por burocracias estatais de uma imagem construída nacionalmente. Desta forma é possível entender a construção da Lista do Patrimônio Mundial como uma relação geopolítica entre países para legitimar discursos sobre diversos elementos, a partir de estratégias de caracterização de territórios nacionais e estrangeiros. Como podemos analisar a inscrição de paisagens culturais na lista da UNESCO enquanto uma questão geopolítica? Quais os discursos produzidos para justificar as inscrições de paisagens na Lista? Estes são os questionamentos que orientam a produção deste texto. O trabalho apresentará, portanto, uma breve revisão da utilização do conceito de paisagem cultural dentro da UNESCO, em seguida irá problematizar como a inscrição de paisagens na Lista do Patrimônio Mundial pode ser compreendida como uma questão geopolítica, e por fim irá apresentar dois estudos de casos para refletir sobre a inscrição de bens africanos na UNESCO.


Referências


FOWLER, Peter. “World Heritage Cultural Landscapes 1992-2002”. Paris: Unesco, 2013 (http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001331/133121e.pdf . Accessed on 26 Set. 2013.)

GÓES FILHO, Paulo de. O clube das nações: a missão do Brasil na ONU e o mundo da diplomacia parlamentar. Rio de Janeiro: Relume Dumará: Núcleo de Antropologia da Política, 2003.

ICOMOS. The World Heritage List: Filling the Gaps-An Action Plan for Future, provided, 2005 (www.international.icomos.org/world_heritage/whlgaps.htm, accessed 20 Out. 2013).

JOKILEHTO, J. “Notes on the Definition and Safeguarding of HUL”. City & Time 4 (3): 4. 2010 (http://www.ceci-br.org/novo/revista/docs2010/C&T-2010-162.pdf . Accessed on 20 out. 2013.)

KEARNS, Gerry. Imperial Geopolitics.In: Agnew, John.; Mitchell, Katharyne; Toal, Gerard. A companion to political geography. Edited by John Agnew, Katharyne Mitchell and Gerard Toal.Malden. Blackwell, c2008

RIBEIRO, Rafael. “Paisagem cultural e patrimônio”. Rio de Janeiro: IPHAN/COPEDOC. 2007

______.; AZEVEDO, Daniel. “Paisagem Cultural e Patrimônio Mundial no Rio de Janeiro: caminhos e desafios para o reconhecimento”. In: 1º Colóquio Íbero-Americano Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto, 2010, Belo Horizonte. 2010

______. UM CONCEITO, VÁRIAS VISÕES: Paisagem Cultural e a UNESCO. In: CASTRIOTA, Leonardo (org.): Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Belo Horizonte, Brasília: UFMG, IPHAN, 2013, no prelo.

SAUER, Carl. “A morfologia da paisagem”.In: CORRÊA, R. L. A.; ROZENDAHL, Z. (Orgs.). Paisagem, Tempo e Cultura. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1998. p.12-74

SHARMA, Aradhana & GUPTA, Akhil 2008 [2006]. – “Rethinking Theories of The State in the Age of Globalization”. In : (eds). The anthropology of the state: a reader.. Oxford: Blackwell Publishing,

SILVA, Fernando Fernandes da. As cidades brasileiras e o patrimônio cultural da humanidade. 2. ed. São Paulo: Edusp, 2012.

TOAL, Gerard. Introduction. In: Toal, Gerard.; Dalby, Simon.; Routledge, Paul.The geopolitics reader. edited by Gearóid Ó Tuathail, Simon Dalby and Paul Routledge. London; New York: Routledge, 1998.

TRAJANO FILHO, Wilson. Patrimonialização dos artefatos culturais e a redução dos sentidos. In: SANSONE, Lívio (org.) Memórias da África: patrimônios, museus e políticas das identidades. EDUFBA, Salvador, 2012, pp: 11 - 40

UNESCO WH Centre. World Heritage papers 26: World Heritage Cultural Landscapes: A Handbook for Conservation and Management. 2010 (http://whc.unesco.org/documents/publi_wh_papers_26_en.pdf . acesso em 15 Jun. 2014)

WEBER, Max,. Economia y sociedad: esbozo de sociologia comprensiva . Mexico: Fondo de Cultura Económica, 1977.. 1v.


Texto completo: PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.