A CONSTRUÇÃO DO OUTRO NAS POLÍTICAS PATRIMONIAIS DE BELO HORIZONTE

Wanessa Pires Lott, Claudio Roberto de Jesus

Resumo


A cidade de Belo Horizonte iniciou a implantação de uma política local de proteção ao patrimônio histórico ainda na década de 1980, embora apenas a partir de 1994 ela tenha de fato se tornado mais sistemática. Concentrou-se inicialmente em uma prática tradicional que valorizava sobretudo elementos significativos da elite branca católica. Em 1995, através do “Projeto Tricentenário de Zumbi dos Palmares”, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura, elegeu-se a comunidade banto-católica da “Irmandade de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá” e o terreiro de candomblé “Ilê Wopo Olojukan” como Patrimônio Cultural do Município. Ambas foram inscritas no Livro de Tombo dos Bens de Natureza Arqueológica, Etnográfica e Paisagística. O artigo pretende questionar se tal ação reflete uma tendência das políticas patrimoniais em Belo Horizonte de voltar-se o olhar para a diversidade cultural, abrindo espaço para a inserção do Outro no registro oficial da memória da cidade, ou trata-se de uma resposta a uma reivindicação das comunidades em questão, de se fazerem atores oficiais do patrimônio belo horizontino.


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