Urbanismo e história no acervo documental do Engenheiro-Urbanista José de Oliveira Reis: a construção de um processo interpretativo sobre o urbanismo no Brasil – os documentos entre o problema e a narrativa de uma trajetória profissional

Rodrigo S. de Faria

Resumo


Este artigo explicita o processo analítico-interpretativo construído a partir da pergunta “o que é o Urbanismo no Brasil na interlocução profissional do engenheiro-urbanista José de Oliveira Reis”. No caso, a interlocução na construção da institucionalização do urbanismo nas administrações municipais brasileiras, especificamente do município do Rio de Janeiro entre 1933 e 1966. A estruturação do trabalho ocorreu mediante articulação entre séries documental-temáticas instituídas a posteriori ao percurso pelo principal conjunto de documentos: seu arquivo pessoal integrante dos fundos documentais do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Percurso marcado por uma especificidade: recusamos chaves explicativas que antecedessem o movimento pelo escopo documental, que foi todo organizado pelo próprio engenheiro. Não adentramos os documentos com estruturas, conjunturas, concepções, procedimentos e filiações pré-determinadas de interpretação. Esta recusa se justificou pelos riscos do engessamento dos vestígios documentais, o que impossibilitaria a (des)construção da narrativa interessada que este arquivo poderia produzir. Qualquer chave explicativa a priori tornar-se-ia insensível aos mínimos aspectos que o ato consciente de organização do seu próprio arquivo permite produzir. Poderia dificultar movimentos necessários à compreensão da lógica documental existente, ou seja, dos vestígios da trajetória profissional do engenheiro-urbanista José de Oliveira Reis.


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